Por Regina Bratfisch Simionato
“Cuidado com a força dos paradigmas! Até hoje dormimos
à noite porque o homem das cavernas não tinha luz disponível e adormecia por
não ter nada que fazer. “
Se
observarmos atentamente nosso comportamento, veremos que temos o mesmo lugar em
casa para assistir à televisão, o mesmo lugar à mesa do jantar, percorremos
exatamente o mesmo trajeto para ir ao trabalho (ou à padaria, ou ao shopping,
ou a outro lugar qualquer), e esses hábitos acabam por ser incorporados a nós.
Isso não teria o menor problema, se as nossas ‘mesmices’ acabassem por aí.
Acontece que, sem perceber, vamos generalizando nossas ‘mesmices’, nossos
hábitos, nossa rigidez e nos tornamos irredutíveis diante da possibilidade de
mudanças, ou seja, vamos nos tornando inflexíveis!
A imutabilidade limita nossa possibilidade de
crescer, de acrescentar uma pitada de inovação ao habitual, uma pincelada de
cor ao preto-e-branco da rotina diária.
Com a
flexibilidade, nós crescemos e passamos a ter uma visão mais completa dos
mesmos acontecimentos, a compreender também a visão do outro, e lucramos muito
ao constatar que ‘o seu ângulo de visão pode e deve complementar o meu ângulo
de visão’, e vice-versa.
Mudar não
significa necessariamente abandonar o que estava sendo feito e sim acrescentar
algo, substituir algo naquele todo que já estava sendo feito, inovar,
aproveitar novas ideias e complementar as nossas próprias.
Quando
pensamos em mudanças pessoais, internas, podemos observar que as pessoas só
mudam de posturas ou atitudes quando algo as incomoda. O incômodo é um
excelente estímulo para provocar mudanças.
Ou seja, promovemos mudanças em nós ou no
ambiente, desde as mais simples até as mais complexas, quando algo nos
incomoda. Por isso é inútil tentarmos provocar mudanças no comportamento das
outras pessoas.
Em se
tratando de equipes de trabalho, a dificuldade individual de promover mudanças
no comportamento resulta, muitas vezes, num fator complicador para o bom
relacionamento entre as pessoas. Por isso, a flexibilidade interna deve ser
estimulado e implementada, entendendo cada um, a partir daí, que o seu
comportamento deve estar sincronizado com o todo.
O fato de um
grupo não caminhar de maneira satisfatória deve ser compreendido como fator de
incômodo pelas pessoas que o compõem, e por isso mesmo significar a mola
propulsora para mudanças de comportamentos e posturas.
A prática
mostra que as duas características pessoais que mais incomodam um grupo são,
de um lado, o conformismo e, de outro, a competitividade agressiva.
Quando a
flexibilidade interna das pessoas é estimulada, naturalmente essas
características vão perdendo força e abrindo espaço para um relacionamento mais
harmônico e consequentemente mais produtivo das equipes de trabalho. Isso por
si só é uma grande mudança, cujos maiores beneficiados são os próprios
integrantes do grupo.

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