5 de ago. de 2015

Mudanças (percepções) e surpresas da vida

Por Daniele Leão Freitas

Há cerca de um ano foi minha última postagem, muito mudou desde então... meu CEP, meu estado de espírito, minhas vozes e meus humores por vezes não sabiam nem se reconhecer dentre tantas mudanças. Em períodos de ajuste e de desordem muito se complica, mas muito se explica também. Você percebe o que te faz bem e quer cultivar mais isso, pode ser que isso seja passar o dia sem fazer nada, ou pesquisando coisas do seu interesse na internet, talvez parar por cinco minutos sentindo o calor do Sol aquecendo sua pele, ou até mesmo quando seus pés estão congelados e ao tocar com eles os pés de outro em baixo da coberta o arrepio faz os dois gargalharem da situação. Compartilhar momentos singelos, como o ronronar de um bichano, acompanhar o desabrochar das flores em plena seca invernosa, passear observando o que não está na tela de qualquer aparelho, mas sim como as pessoas vivem e fazem as suas vidas progredirem instante a instante, ou o simples e maravilhoso voo de um beija-flor que ficou preso na sua casa ao atravessar as janelas e precisou de ajuda para sair de lá e continuar seu balé aéreo, ou um instante em que nada mais importa do que admirar a beleza de uma lua azul nascendo majestosa ou do sol fulminante descansar no céu laranja e fogo que deixa para o amanhã.


Tanta coisa que vale a pena ser observada e degustada, como um delicioso queijo de vinho, ou até mesmo alguma besteira que não acrescenta nada além de um sorriso bem colocado ao soar de uma gargalhada espontânea, que para quem observa, não há necessidade de compreender o motivo para se contagiar e começar a sorrir junto. É difícil perceber a tênue distância entre aquilo que chamamos de bom e ruim, avareza e pobreza, vida e a ausência dela, e a cada dicotomia, se você conseguir se distanciar do momento e da cena que vislumbra, todas elas estão acontecendo ao mesmo tempo, em todos os cantos e picos imagináveis.
A vida é sim uma caixinha de surpresas, mas o melhor de tudo ainda é o que se pode descobrir fora da caixinha. Não há regras para amar, desde que seja verdadeiro. Cada qual vai fazendo as suas regras à medida que vai conhecendo o limite e os calos do outro universo que se mostra aberto para amar e ser amado também. E o que acontece se o amor acaba? E se eu mudar? Você se reinventa e se redescobre. A gente muda a cada dia, pode ser que não necessariamente de CEP tanto quanto eu, mas com as mudanças, vários aprendizados valiosos são adquiridos, pois aquilo que não te faz tão bem, que não condiz com o que você acredita ou pensa que vale a pena gastar seu precioso tempo, passa a ser uma perda de tempo muito mais significativa do que passar uma tarde jogado no sofá sem saber qual filme ou programa quer assistir. Até isso é mais valioso e primoroso do que perder o tempo com ínfimas pobrezas de espírito e desnecessárias falsidades só para inglês ver. Isso cansa mais do que fazer uma mudança por semestre, mesmo que por duas horas, tem coisas que o passar dos invernos ensina, e assim como para uma planta, sua flor é valiosa, tê-la observada é uma dádiva, a cada segundo que se ergue os olhos diante da população conectada 24h por dia, é um momento de vida a mais sendo melhor aproveitado por alguém que rompeu as barreiras da caixinha eletrônica que não fica muito tempo no seu bolso, agora mais significante do que as primorosas vidas e maravilhas ao seu redor esperando ser desfrutadas e aproveitadas.
Talvez por isso, além de tantas adversidades que acontecem na vida de cada um por motivos que se explicam (caso estiver disposto a abrir os olhos e absorver os aprendizados que cada situação pode te passar) estive um tanto desconectada e desinteressada de compartilhar o que tivesse na minha mente e vida, que nem sempre eram as mais inspiradoras, no entanto igualmente importantes, tanto quanto passar um período longo longe de casa e saborear o reencontro tão esperado. Esta é a sensação de hoje, e espero que matemos mais ainda as saudades não só as que sinto daqui, mas daqueles que ainda tenho saudades para matar... talvez nem todos eu consiga tão rapidamente, mas estaremos próximos mais uma vez, se assim valer a pena e se assim as surpresas dessa caixinha permitirem.


Em homenagem ao meu avô Ly, quem muito bem aproveitou ao longo de todos os seus anos o seu intenso e longo caso de amor com a vida.