Por Daniele Leão Freitas


Tanta coisa que vale a pena ser observada e degustada, como um delicioso queijo de vinho, ou até mesmo alguma besteira que não acrescenta nada além de um sorriso bem colocado ao soar de uma gargalhada espontânea, que para quem observa, não há necessidade de compreender o motivo para se contagiar e começar a sorrir junto. É difícil perceber a tênue distância entre aquilo que chamamos de bom e ruim, avareza e pobreza, vida e a ausência dela, e a cada dicotomia, se você conseguir se distanciar do momento e da cena que vislumbra, todas elas estão acontecendo ao mesmo tempo, em todos os cantos e picos imagináveis.
A vida é sim uma caixinha de surpresas, mas o melhor de tudo ainda é o que se pode descobrir fora da caixinha. Não há regras para amar, desde que seja verdadeiro. Cada qual vai fazendo as suas regras à medida que vai conhecendo o limite e os calos do outro universo que se mostra aberto para amar e ser amado também. E o que acontece se o amor acaba? E se eu mudar? Você se reinventa e se redescobre. A gente muda a cada dia, pode ser que não necessariamente de CEP tanto quanto eu, mas com as mudanças, vários aprendizados valiosos são adquiridos, pois aquilo que não te faz tão bem, que não condiz com o que você acredita ou pensa que vale a pena gastar seu precioso tempo, passa a ser uma perda de tempo muito mais significativa do que passar uma tarde jogado no sofá sem saber qual filme ou programa quer assistir. Até isso é mais valioso e primoroso do que perder o tempo com ínfimas pobrezas de espírito e desnecessárias falsidades só para inglês ver. Isso cansa mais do que fazer uma mudança por semestre, mesmo que por duas horas, tem coisas que o passar dos invernos ensina, e assim como para uma planta, sua flor é valiosa, tê-la observada é uma dádiva, a cada segundo que se ergue os olhos diante da população conectada 24h por dia, é um momento de vida a mais sendo melhor aproveitado por alguém que rompeu as barreiras da caixinha eletrônica que não fica muito tempo no seu bolso, agora mais significante do que as primorosas vidas e maravilhas ao seu redor esperando ser desfrutadas e aproveitadas.
Talvez por isso, além de tantas adversidades que acontecem na vida de cada um por motivos que se explicam (caso estiver disposto a abrir os olhos e absorver os aprendizados que cada situação pode te passar) estive um tanto desconectada e desinteressada de compartilhar o que tivesse na minha mente e vida, que nem sempre eram as mais inspiradoras, no entanto igualmente importantes, tanto quanto passar um período longo longe de casa e saborear o reencontro tão esperado. Esta é a sensação de hoje, e espero que matemos mais ainda as saudades não só as que sinto daqui, mas daqueles que ainda tenho saudades para matar... talvez nem todos eu consiga tão rapidamente, mas estaremos próximos mais uma vez, se assim valer a pena e se assim as surpresas dessa caixinha permitirem.
Em homenagem ao meu avô Ly, quem muito bem aproveitou ao longo de todos os seus anos o seu intenso e longo caso de amor com a vida.