Por Daniele Leão Freitas
“Um elefante
incomoda muita gente, Dois elefantes incomodam muito mais!”
Essa música, que
é cantarolada apenas quando alguém quer irritar outra pessoa, me fez refletir
sobre alguns aspectos dela que eu não havia me atentado ainda. Ok, pode parecer bem besta e óbvio o que ela quer
dizer, mas não é tão simples assim o que ela pode significar também.
A partir de uma
certa idade, conheceu a palavra HIPOCRISIA, e depois de muitos anos se deu
conta do quão novo era para tomar conhecimento daquela palavra estranha. Diversas
vezes, presenciou situações que não faziam sentido para ele, pois aquela mesma
garça dizia que aquilo não era correto. Mas ela podia fazer por ser uma garça
adulta. E isso não bastava para o elefante
para explicar e justificar aquele ato. Após, incontáveis vezes, testemunhar
inúmeras situações das mais diversas que continuavam a exemplificar o que
aquela palavra estranha significava, o elefante se rebelou. Mas isso foi durante
o início da adolescência... e “isso é só uma fase”, diziam, “ele está ‘aborrescente’,
logo isso passa”... e isso “passou”... quer dizer, depois de um tempo,
percebendo que as garças que precisavam escutar o que eu estava berrando com
todas as forças, tentando dizer e mostrar que tudo aquilo não podia ser certo,
só ouviram um barulho irritante, colocaram tampões nos ouvidos e esperaram
passar. O elefante acabou ficando sem voz e, não importava o quão alto ele
gritasse, ninguém queria saber do que se tratava.
“Por que ele não
muda? Por que ele não faz o que a gente gosta/manda? Por que ele simplesmente
não é como eu quero que ela seja? Eu o amaria se ela fosse assim, como eu
gostaria que fosse”.
E o elefante
continuava por lá, talvez não conseguisse encarar e erguer mais a cabeça, mas a
presença dele era constante. Ele fazia tudo o que era pedido, era melhor do que
todos na escola de animais, até praticava esportes, mas ele não era o que
queriam que ele fosse. Ele nunca seria pequeno, ele nunca deixaria de ser
notado, ele não parava de chamar atenção, mas principalmente, ele não deixaria
de ser o que é e muito menos de existir apenas porque esse era o desejo
daqueles que coabitavam a sala.
Não entendeu
então o motivo de tentarem mudar ele, se ele aparentava exatamente como os
outros. Chamou todos para verem o espelho e ao verem o objeto recém descoberto
todos cobriram os olhos. “O que você está fazendo??! Cubra-o e tire isso da
nossa frente!” Sem entender, o elefante assim o fez, mas mais confuso ainda,
balbuciou quase que para si mesmo apenas “Por quê? Ele é tão belo, mostra
coisas tão belas em nós mesmos. Mostra como a gente realmente é parecido”. E
mesmo falando baixinho, ouviram suas palavras e responderam para ele “Exatamente
por isso que não gostamos nem de olhar para os seus olhos, no reflexo deles
vemos como somos elefantes como você, quando preferimos ser garças”.
Muitas vezes nos
sentimos como o elefante, rejeitado, afastado, renegado sem nenhuma razão
aparente, quando as razões que nos fazem ser discriminados e “piores” que os
outros são ser quem somos de verdade. Concepções como essas continuarão
enquanto houver pessoas que desejem ser melhor que outras, e para tal precisam
colocar aquelas que são diferentes delas como “menos” ou “piores”.
O elefante
incomoda muita gente, quando não queremos aceitar olhar nos olhos dele e
assumir que, mesmo sendo todos elefantes, a diferença e diversidade das rugas e
marcas nas nossas peles grossas de elefante é o que faz cada um de nós belos à
nossa maneira.











