19 de mar. de 2014

Memórias esquecidas de Traumas Intrauterinos

Por Daniele Leão Freitas

Não lembramos como foi a nossa vida antes de chegar neste mundo. Não estou falando de vidas passadas, mas do tempo que passamos no útero de nossas mães e genitoras. Este é um período que pouco temos conhecimento e, no entanto, sabe-se que levamos para o resto de nossas vidas algumas marcas do que nos aconteceu por lá.
Segundo os chineses, o parto é o maior trauma que passaremos ao longo da vida, e por isso que não mantemos nenhuma recordação desse momento e do período que o precedeu também.
O motivo de ser tão traumático é por sermos “forçados” a sair de um ambiente quentinho, aconchegante, onde temos tudo o que precisamos, desde comida e nutrientes à voz e presença constante da nossa mãe, para sermos puxados à marra para um local frio, esterilizado, cheio de luzes muito brilhantes e barulhos ensurdecedores. Além de tudo isso, nos distancia daquela que era a nossa morada, da única pessoa com a qual você tem um relacionamento de confiança, começam a nos “testar”, a nos picar com agulhas e enfim cortar a nossa preciosa fonte de alimento, nutrientes e tudo o que era mais sagrado para nós até aquele momento.
É claro que antes desse momento chegar, podemos ter passado por algumas situações que colaboram também na nossa personalidade futuramente. O fato de termos tido uma estada tranquila e serena no melhor “hotel” do mundo é o ideal, mas não é garantido que nossas mães tiveram uma gestação totalmente sem nenhum evento estressante. Hoje em dia, aliás, quem de nós pode dizer que passou o mês, ou melhor, a semana inteira sem passar por situações estressantes? É, se algumas pessoas nascidas há pelo menos 20 anos se identificaram com o TDAH, imagina se a probabilidade de haver mais pessoas com essas características, sendo gestadas num mundo que não se desconecta do whatsapp ou do facebook, e que tudo é de extrema urgência? Mas este é um assunto que ficará para outra hora, até porque já “desinventaram” o TDAH mesmo, rss...
A cada momento, e a cada semana do embrião, uma parte da coluna e do cérebro está sendo formada, ou a diferenciação das células que formarão o esqueleto daquelas que formarão os músculos e órgãos estará acontecendo, e para tal, além de todos os nutrientes, ele precisa estar em um ambiente que propicie o seu melhor desenvolvimento. Entenda que é praticamente o mesmo que estudar, e dependendo de como está ambiente, melhor ou pior será o seu desempenho, sua concentração e a compreensão do assunto estudado. Da mesma forma, o embrião terá mais adversidades em ambientes mais conturbados e hostis.
No caso da gravidez ser rejeitada pelo marido ou ambos os pais por não ter sido planejada ou desejada, ou da mãe entrar em depressão, ou dos pais da mãe a expulsarem de sua casa por ter engravidado muito nova e de alguém que não aprovam, ou por ter sido concebida em uma situação traumática para a mãe ao ser violentada, ou ter acontecido em uma mãe que fuge da sua realidade ao utilizar entorpecentes e drogas, ou por uma mãe que não perceba que está grávida até a hora do parto, será que todas essas e tantas outras situações que os bebês passam antes de nascer não colaboram para além das suas capacidades cognitivas, mas para as possibilidades de personalidades que formarão ao longo de suas vidas? Sabe-se que a inanição materna, o uso de drogas, o descuido durante a gravidez e diversos fatores colaboram para uma saúde mais debilitada do recém-nascido, que levará consigo muitas “sequelas” e “lembranças” desse período. Por que então, é tão difícil considerar que viver estressado e condicionar esse futuro indivíduo a tanto cortisol é igualmente problemático? Por que não avaliar se situações que estressaram a gestante foram “absorvidas” pelo feto também, e deixaram a sua marca?
Talvez seja menos perceptível do que a debilidade mental ou física ocasionada pelo abuso de narcóticos nesse período, mas não necessariamente menos verdadeira. As debilidade acabam sendo de outro aspecto, muitas vezes é notado na dificuldade da pessoa em se relacionar com as outras, ou na inabilidade de confiar nos outros, ou até em problemas mais de quesitos filosóficos, pois não se sente pertencente à família, à sociedade que convive, ou até à essa vida. Sim, pode favorecer o desenvolvimento de problemas de ansiedade, alimentação, autoestima e depressão.
Caso esteja se questionando se algo que aconteceu com sua mãe nesse período pode ter colaborado com alguma questão que nunca fez muito sentido para você, vale a pena perguntar para a sua mãe ou para alguém que tenha acompanhado de perto a gestação que te gerou.
Caso esteja com vontade de evitar que qualquer coisa aconteça na sua gestação com o seu bebê que está por vir  ou pensa em gerar, busque acompanhamento médico e métodos para preparar a si e a ele para que o maior trauma da vida dele seja amenizado, e que até lá seja um momento tranquilo e de conexão entre vocês dois. 

Profissionais como Doulas fazem este trabalho belíssimo, e cada vez mais está sendo ampliado o conhecimento dos Partos Humanizados e Partos Aquáticos. A prática de Yoga, Tai Chi, Técnicas Meditativas, prática de danças e estudos do Sagrado Feminino também pode ser uma opção para este momento tão único da mulher, além de fazer exercícios físicos como a Hidroterapia e outros  que sejam apropriados também para os músculos que serão mais exigidos em um parto normal (se esta for a melhor opção para o seu caso), colaboram para ambos se prepararem para o momento que se encontrarão face a face pela primeira vez... que apesar de traumático, pode se tornar um momento inesquecível, cheio de alegria e inundado de amor para mãe e bebê (e pai também).



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