Por Daniele Leão Freitas
Não lembramos como foi a nossa vida
antes de chegar neste mundo. Não estou falando de vidas passadas, mas do tempo
que passamos no útero de nossas mães e genitoras. Este é um período que pouco
temos conhecimento e, no entanto, sabe-se que levamos para o resto de nossas
vidas algumas marcas do que nos aconteceu por lá.
O motivo de ser tão traumático é por
sermos “forçados” a sair de um ambiente quentinho, aconchegante, onde temos
tudo o que precisamos, desde comida e nutrientes à voz e presença constante da
nossa mãe, para sermos puxados à marra para um local frio, esterilizado, cheio
de luzes muito brilhantes e barulhos ensurdecedores. Além de tudo isso, nos
distancia daquela que era a nossa morada, da única pessoa com a qual você tem
um relacionamento de confiança, começam a nos “testar”, a nos picar com agulhas
e enfim cortar a nossa preciosa fonte de alimento, nutrientes e tudo o que era
mais sagrado para nós até aquele momento.
É claro que antes desse momento chegar,
podemos ter passado por algumas situações que colaboram também na nossa
personalidade futuramente. O fato de termos tido uma estada tranquila e serena
no melhor “hotel” do mundo é o ideal, mas não é garantido que nossas mães
tiveram uma gestação totalmente sem nenhum evento estressante. Hoje em dia,
aliás, quem de nós pode dizer que passou o mês, ou melhor, a semana inteira sem
passar por situações estressantes? É, se algumas pessoas nascidas há pelo menos
20 anos se identificaram com o TDAH, imagina se a probabilidade de haver mais
pessoas com essas características, sendo gestadas num mundo que não se
desconecta do whatsapp ou do facebook, e que tudo é de extrema urgência? Mas
este é um assunto que ficará para outra hora, até porque já “desinventaram” o
TDAH mesmo, rss...
A cada momento, e a cada semana do
embrião, uma parte da coluna e do cérebro está sendo formada, ou a
diferenciação das células que formarão o esqueleto daquelas que formarão os
músculos e órgãos estará acontecendo, e para tal, além de todos os nutrientes,
ele precisa estar em um ambiente que propicie o seu melhor desenvolvimento.
Entenda que é praticamente o mesmo que estudar, e dependendo de como está ambiente,
melhor ou pior será o seu desempenho, sua concentração e a compreensão do
assunto estudado. Da mesma forma, o embrião terá mais adversidades em ambientes
mais conturbados e hostis.
No caso da gravidez ser rejeitada pelo marido ou ambos os
pais por não ter sido planejada ou desejada, ou da mãe entrar em depressão, ou dos pais da
mãe a expulsarem de sua casa por ter engravidado muito nova e de alguém que não aprovam, ou por ter sido
concebida em uma situação traumática para a mãe ao ser violentada, ou ter acontecido em uma mãe que fuge da sua realidade ao utilizar entorpecentes e drogas, ou por uma
mãe que não perceba que está grávida até a hora do parto, será que todas essas
e tantas outras situações que os bebês passam antes de nascer não colaboram
para além das suas capacidades cognitivas, mas para as possibilidades de
personalidades que formarão ao longo de suas vidas? Sabe-se que a inanição
materna, o uso de drogas, o descuido durante a gravidez e diversos fatores
colaboram para uma saúde mais debilitada do recém-nascido, que levará consigo
muitas “sequelas” e “lembranças” desse período. Por que então, é tão difícil
considerar que viver estressado e condicionar esse futuro indivíduo a tanto
cortisol é igualmente problemático? Por que não avaliar se situações que
estressaram a gestante foram “absorvidas” pelo feto também, e deixaram a sua
marca?
Talvez seja menos perceptível do que a
debilidade mental ou física ocasionada pelo abuso de narcóticos nesse período,
mas não necessariamente menos verdadeira. As debilidade acabam sendo de outro
aspecto, muitas vezes é notado na dificuldade da pessoa em se relacionar com as
outras, ou na inabilidade de confiar nos outros, ou até em problemas mais de
quesitos filosóficos, pois não se sente pertencente à família, à sociedade que
convive, ou até à essa vida. Sim, pode favorecer o desenvolvimento de problemas
de ansiedade, alimentação, autoestima e depressão.
Caso esteja se questionando se algo que
aconteceu com sua mãe nesse período pode ter colaborado com alguma questão que
nunca fez muito sentido para você, vale a pena perguntar para a sua mãe ou para
alguém que tenha acompanhado de perto a gestação que te gerou.
Caso esteja com vontade de evitar que
qualquer coisa aconteça na sua gestação com o seu bebê que está por vir ou pensa em gerar, busque acompanhamento
médico e métodos para preparar a si e a ele para que o maior trauma da vida
dele seja amenizado, e que até lá seja um momento tranquilo e de conexão entre
vocês dois.
Profissionais como Doulas fazem este
trabalho belíssimo, e cada vez mais está sendo ampliado o conhecimento dos Partos Humanizados e Partos Aquáticos. A prática de Yoga, Tai Chi, Técnicas Meditativas, prática de danças e estudos do Sagrado Feminino também pode ser uma opção para este momento tão único da mulher, além de fazer exercícios físicos como a Hidroterapia e outros que sejam apropriados também para os músculos que serão mais exigidos em um parto normal (se esta for a melhor opção para o seu caso), colaboram para ambos se
prepararem para o momento que se encontrarão face a face pela primeira vez...
que apesar de traumático, pode se tornar um momento inesquecível, cheio de
alegria e inundado de amor para mãe e bebê (e pai também).
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