Por Daniele Leão Freitas
Assim
como ela, eu também percebi depois de um tempo de vida que não existe um modelo
apenas de família. Muitas vezes não nos damos conta da existência de outras
formas de viver na primeira sociedade que temos contato. Alguns sofrem e
gostariam que a família fosse diferente, outros sofrem e gostariam que o resto
do mundo fosse diferente.
Não existe modelo ideal, mas
existem algumas preferências do “público usuário”, por assim dizer:
Ø Amor e respeito entre os entes da família: parece óbvio né,
mas às vezes é o que mais falta nas famílias hoje em dia. Respeitar a pessoa na sua individualidade, respeitar suas escolhas
e suas preferências e ensinar a todos se respeitarem entre si, forma indivíduos
melhores, e se todos fizessem isso teríamos uma sociedade sem preconceitos nem
desrespeitos que nos admiram de existir até hoje. Da mesma forma, o amor também colabora e muito para um
mundo melhor, mas nem sempre é fácil amar sob qualquer circunstância aquele que
te feriu, te magoou ou te desagradou, na sociedade ou até em relacionamentos
amorosos às vezes é mais fácil dar as costas e nunca mais ter que olhar para
aquele que te causou tanta dor, mas quando se trata de parente, a coisa fica
mais difícil. Não dá pra pedir divórcio da mãe, do pai ou dos irmãos. Eles
continuarão sendo pra sempre mãe, pai ou irmão. A melhor solução, por mais
difícil que seja, é se embeber em amor e compaixão, perdoar de coração a pessoa
e aceitar a pessoa como é. E se for o caso de terem ocorrido situações muito
complexas e até criminosas, não significa que é necessário continuar convivendo
com este ou aquele indivíduo, mas para seguir a vida sem levar esse “câncer”
consigo para sempre, vale a mesma dica, só que isso não quer dizer que você
deve abrir mão do seu amor-próprio, segurança ou saúde.
Ø Não julgamento entre os entes da família: Por mais que
irmãos sejam gêmeos univitelinos ou com década(s) de diferença de idade,
dificilmente terão a mesma criação. Indivíduos criados por anos de diferença é
mais fácil de entender, devido aos pais estarem em diferente situação de vida e
tudo mais, mas em caso de irmãos em idades próximas ou até mesmo gêmeos, além
de cada um ter uma personalidade “embutida” diferente de qualquer outro, às
vezes justamente por conta dessa personalidade os pais tem que lidar de forma diferente
com cada um dos filhos, logo dificilmente terão a mesma criação. Sendo assim, por personalidades e criação
diferentes, indivíduos diferentes se formam sobre o mesmo teto, deve-se
respeitar e não julgar as escolhas e
preferências de cada um. Isso não quer
dizer que um não pode ser alertado e precavido caso esteja tomando uma má
decisão, seja direcionado aos filhos ou aos pais, mas se esse alerta for feito
com amor, respeito e sem julgamento, possivelmente será levado em consideração
com muito mais facilidade por aquele que também aprendeu a respeitar e a amar,
sem julgar.
Ø Comunicação e livre expressão: Este é um
aspecto que vem junto dos outros citados acima. Para alguém se sentir à vontade
de se expressar livre e espontaneamente, contar como é sua percepção, conversar
abertamente sendo e vivendo a sua expressão própria, esses precisam existir na
realidade da família, pois sem a pessoa saber que é amada da forma que é, com
seus defeitos e qualidades, respeitada e não é julgada pelo que quer que tenha
feito, isso é praticamente impossível. E assim, nem as pessoas que deveriam ser
as mais próximas, saberão e conhecerão quem aquele indivíduo realmente é. Isso
é válido para qualquer ente da família. Quantos filhos não crescem sem saber
quem os pais realmente são, e vice e versa, por falta desses itens?!
Ø Cumplicidade e partilha emotiva e material: Poder confiar e
compartilhar todos os momentos de intensa alegria e as situações de mais
profundo desgosto é uma das melhores coisas que se pode ter em qualquer
relacionamento. Saber que sempre haverá alguém que te tem amor, respeito, que
não te julga, com quem pode falar o que pensa e poder partilhar o que quer que
aconteça, das histórias mais hilárias e pitorescas às derrotas mais sofridas,
frustrantes e humilhantes, não tem preço. Assim como poder pegar emprestado
qualquer item do armário de outro familiar sabendo que ele não se importa, pois
tudo ali é de todos, e não apenas os aspectos emocionais são partilhados, mas
também as coisas mais simples e bobas. Parece
utópico, não é?! Mas é tão mais simples do que acreditamos ser, justamente por
não termos crescido em modelos familiares que praticam isso. Pergunte para
alguém que tem esse costume ;-)
Ø Parceria e amizade entre os entes da família: É claro que
tendo todos os itens acima fica meio óbvio chegar a essa conclusão. E é bem
isso mesmo. E é por isso também que muitas vezes isso não acontece em diversas
famílias. Há muito mais rivalidade, inveja e rancor não apenas entre familiares
das novelas das 9. Será porque o que fundamenta a parceria e a amizade está
muito em falta no cultivo familiar?
Ø Companheirismo, apoio e união: Da mesma forma
que o item acima, acontece por consequência de todos os anteriores. E aí chega
a hora de pensar e repensar, será que se tivéssemos todos essas estruturas
firmes em nossas casas desde cedo, será que não teríamos um mundo melhor?
Seríamos mais companheiros de todos os seres, apoiaríamos uns aos outros e
seríamos mais unidos? E alguns diriam que então daríamos as mãos e iríamos
juntos saltitando até o fim do arco-íris, né?! Qual versão do mundo Disney
estaríamos vivendo? E ainda assim continuam pensando assim justamente por não
verem a possibilidade de modelos diferentes, muito diferentes do que tiveram.
Essas são
algumas sugestões para acompanhar as preferências citadas acima:
Ø Ao invés de
autoritarismo, dê ouvidos, desligue o Jornal Nacional e escute.
Ø Ao invés de
brinquedos, deixe solta a imaginação .
Ø Ao invés de indiferença,
faça diferente.
Ø Ao invés de televisão
pra distração, tenha momentos de diversão em família.
Ø Ao invés de
apenas “bom dia” e “boa noite”, busque saber não só dia mas como está a pessoa
que partilha do mesmo lar.
Ø Façam planos e
piadas juntos, riam e chorem juntos ao invés de implicarem, xingarem, brigarem e reclamarem.
Ø Deixem o foco da
reunião familiar ser sempre o amor e o respeito entre todos, e não o que
acontece da casa "mais vigiada do Brasil", ou em qualquer outra.
Ø Façam cada momento
valer, pois nunca se sabe quando será o momento que não terá mais como ter
novos deles juntos.
E Lembre-se:
“Embora ninguém possa voltar
atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo
fim.”
Chico Xavier



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