27 de fev. de 2014

Diferentes tipos de família

Por Daniele Leão Freitas

Há alguns dias reencontrei uma amiga após voltar de férias, e depois de alguns anos de muito tumulto na sua vida pessoal, conversávamos sobre todos os tipos de assuntos. Entramos então no tópico de tipos de família e ela declarou que achava que todas as famílias eram como a dela e que somente após 25 anos de vida, que foi quando saiu de casa e foi viver em outros modelos de família que começou a perceber que nem toda família era como a dela, na verdade, a família dela era a exceção.
Assim como ela, eu também percebi depois de um tempo de vida que não existe um modelo apenas de família. Muitas vezes não nos damos conta da existência de outras formas de viver na primeira sociedade que temos contato. Alguns sofrem e gostariam que a família fosse diferente, outros sofrem e gostariam que o resto do mundo fosse diferente.
           Não existe modelo ideal, mas existem algumas preferências do “público usuário”, por assim dizer:
Ø  Amor e respeito entre os entes da família: parece óbvio né, mas às vezes é o que mais falta nas famílias hoje em dia. Respeitar a pessoa na sua individualidade, respeitar suas escolhas e suas preferências e ensinar a todos se respeitarem entre si, forma indivíduos melhores, e se todos fizessem isso teríamos uma sociedade sem preconceitos nem desrespeitos que nos admiram de existir até hoje. Da mesma forma, o amor também colabora e muito para um mundo melhor, mas nem sempre é fácil amar sob qualquer circunstância aquele que te feriu, te magoou ou te desagradou, na sociedade ou até em relacionamentos amorosos às vezes é mais fácil dar as costas e nunca mais ter que olhar para aquele que te causou tanta dor, mas quando se trata de parente, a coisa fica mais difícil. Não dá pra pedir divórcio da mãe, do pai ou dos irmãos. Eles continuarão sendo pra sempre mãe, pai ou irmão. A melhor solução, por mais difícil que seja, é se embeber em amor e compaixão, perdoar de coração a pessoa e aceitar a pessoa como é. E se for o caso de terem ocorrido situações muito complexas e até criminosas, não significa que é necessário continuar convivendo com este ou aquele indivíduo, mas para seguir a vida sem levar esse “câncer” consigo para sempre, vale a mesma dica, só que isso não quer dizer que você deve abrir mão do seu amor-próprio, segurança ou saúde.
Ø  Não julgamento entre os entes da família: Por mais que irmãos sejam gêmeos univitelinos ou com década(s) de diferença de idade, dificilmente terão a mesma criação. Indivíduos criados por anos de diferença é mais fácil de entender, devido aos pais estarem em diferente situação de vida e tudo mais, mas em caso de irmãos em idades próximas ou até mesmo gêmeos, além de cada um ter uma personalidade “embutida” diferente de qualquer outro, às vezes justamente por conta dessa personalidade os pais tem que lidar de forma diferente com cada um dos filhos, logo dificilmente terão a mesma criação.  Sendo assim, por personalidades e criação diferentes, indivíduos diferentes se formam sobre o mesmo teto, deve-se respeitar e não julgar as escolhas e preferências de cada um.  Isso não quer dizer que um não pode ser alertado e precavido caso esteja tomando uma má decisão, seja direcionado aos filhos ou aos pais, mas se esse alerta for feito com amor, respeito e sem julgamento, possivelmente será levado em consideração com muito mais facilidade por aquele que também aprendeu a respeitar e a amar, sem julgar.
Ø  Comunicação e livre expressão: Este é um aspecto que vem junto dos outros citados acima. Para alguém se sentir à vontade de se expressar livre e espontaneamente, contar como é sua percepção, conversar abertamente sendo e vivendo a sua expressão própria, esses precisam existir na realidade da família, pois sem a pessoa saber que é amada da forma que é, com seus defeitos e qualidades, respeitada e não é julgada pelo que quer que tenha feito, isso é praticamente impossível. E assim, nem as pessoas que deveriam ser as mais próximas, saberão e conhecerão quem aquele indivíduo realmente é. Isso é válido para qualquer ente da família. Quantos filhos não crescem sem saber quem os pais realmente são, e vice e versa, por falta desses itens?!
Ø  Cumplicidade e partilha emotiva e material: Poder confiar e compartilhar todos os momentos de intensa alegria e as situações de mais profundo desgosto é uma das melhores coisas que se pode ter em qualquer relacionamento. Saber que sempre haverá alguém que te tem amor, respeito, que não te julga, com quem pode falar o que pensa e poder partilhar o que quer que aconteça, das histórias mais hilárias e pitorescas às derrotas mais sofridas, frustrantes e humilhantes, não tem preço. Assim como poder pegar emprestado qualquer item do armário de outro familiar sabendo que ele não se importa, pois tudo ali é de todos, e não apenas os aspectos emocionais são partilhados, mas também as coisas mais simples e bobas.  Parece utópico, não é?! Mas é tão mais simples do que acreditamos ser, justamente por não termos crescido em modelos familiares que praticam isso. Pergunte para alguém que tem esse costume ;-)
Ø  Parceria e amizade entre os entes da família: É claro que tendo todos os itens acima fica meio óbvio chegar a essa conclusão. E é bem isso mesmo. E é por isso também que muitas vezes isso não acontece em diversas famílias. Há muito mais rivalidade, inveja e rancor não apenas entre familiares das novelas das 9. Será porque o que fundamenta a parceria e a amizade está muito em falta no cultivo familiar?
Ø  Companheirismo, apoio e união: Da mesma forma que o item acima, acontece por consequência de todos os anteriores. E aí chega a hora de pensar e repensar, será que se tivéssemos todos essas estruturas firmes em nossas casas desde cedo, será que não teríamos um mundo melhor? Seríamos mais companheiros de todos os seres, apoiaríamos uns aos outros e seríamos mais unidos? E alguns diriam que então daríamos as mãos e iríamos juntos saltitando até o fim do arco-íris, né?! Qual versão do mundo Disney estaríamos vivendo? E ainda assim continuam pensando assim justamente por não verem a possibilidade de modelos diferentes, muito diferentes do que tiveram.


Essas são algumas sugestões para acompanhar as preferências citadas acima:
Ø  Ao invés de punição, dê atenção.
Ø  Ao invés de autoritarismo, dê ouvidos, desligue o Jornal Nacional e escute.
Ø  Ao invés de brinquedos, deixe solta a imaginação .
Ø  Ao invés de indiferença, faça diferente.
Ø  Ao invés de televisão pra distração, tenha momentos de diversão em família.
Ø  Ao invés de apenas “bom dia” e “boa noite”, busque saber não só dia mas como está a pessoa que partilha do mesmo lar.
Ø  Façam planos e piadas juntos, riam e chorem juntos ao invés de implicarem, xingarem, brigarem e reclamarem.
Ø  Deixem o foco da reunião familiar ser sempre o amor e o respeito entre todos, e não o que acontece da casa "mais vigiada do Brasil", ou em qualquer outra.
Ø  Façam cada momento valer, pois nunca se sabe quando será o momento que não terá mais como ter novos deles juntos.

E Lembre-se:

“Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.”
Chico Xavier


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