5 de jun. de 2014

Aquilo que os olhos de ninguém quer ver

Por Daniele Leão Freitas


Feridas, vergonhas, segredos, traumas e cicatrizes não são fáceis de mencionar quando ainda trazem uma carga de dor e a lembrança é revivida a cada vez que é relembrada.  O sofrimento de algo que já passou não é saudável para a mente nem para o corpo, pois essas feridas vão se enraizando ao invés de cicatrizarem.

Não há luz sem sombra e não há vida sem a morte. Para o pão existir a semente precisa se entregar à morte daquela forma para dar a vida e servir de alimento e manter-se viva ao dar continuidade a outras vidas. Ao aceitar a plenitude das complementaridades das coisas da vida, aceitando a luz com as trevas, a aceitação de momentos e acontecimentos difíceis da vida torna-se mais natural, pois assim como tempestades assombram os céus das nossas vidas, elas molham o terreno, e ao raiar do sol, aquilo que o sol toca muda de cor, e desde as plantas às pessoas se transformam.

Os momentos sombrios possibilitam crescimentos e aprendizados que levariam uma vida para serem alcançados apenas em dias de verão. Os invernos da vida são como são para a natureza.  São momentos de retraimento, que é necessário poupar energias e acabamos nos afastando dos outros, pois é hora de ficar encolhido e aquecido. É hora de torcer para o sol retornar para aquecer a terra e os ossos novamente, mas também é momento de descansar da colheita e do período de trabalho e desgaste, e também de agradecer a prosperidade que o verão anterior propiciou.

Quando passamos por momentos de tristeza, nos retraímos como a terra no frio. Precisamos de tempo para sarar, e poucos de nós nos permitimos este movimento quando nos sentimos assim, e temos muita dificuldade também para respeitarmos quando alguém próximo está assim. Não se engane, nem tudo é depressão.  A tristeza, assim como a felicidade, faz parte da vida. E é importante valorizar, vivenciar e absorver aquilo que é necessário, assim como colocar para fora o que é preciso, jogar fora o que for lixo e doar as roupas e pensamentos que não servem mais.
Ficamos também mais seletivos no frio, pois não é qualquer motivo que nos faz sair da cama no frio, muito menos de casa. É mais gostoso ficar em casa mesmo, e isso é natural da estação. Sentir-se pensativa, relembrar do passado, fazer uma retrospectiva dos tempos vividos, bons e ruins, também é natural. Fazemos isso ano a ano normalmente no outro Solstício, quando é a virada do ano, mas somos menos realistas do que no Inverno.
O Inverno de nossas vidas pode nos fazer um pouco mais pessimistas até, dependendo do rigor com que ele venha, mas a esperança de dias melhores eventualmente será confirmada. Novas folhas também surgirão em nós, e quando estivermos prontos, floridos estaremos e renovados para mais outro ciclo.
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